De acordo com o CEO Ian Cunha, a IA e suas decisões é um tema que exige maturidade, porque a tecnologia não apenas acelera trabalho: ela influencia julgamento. Se você utiliza recomendações automatizadas para orientar escolhas, continue a leitura e entenda como evitar vieses quando o algoritmo opina.
Por que vieses aparecem? IA e decisões não são sinônimo de verdade
Vieses surgem porque modelos aprendem com dados históricos e com padrões de comportamento. Se o histórico está contaminado por seleção imperfeita, desigualdade de acesso ou decisões antigas equivocadas, a IA tende a replicar essas tendências. Além disso, a forma como um problema é formulado influencia a saída. Uma pergunta mal definida gera uma resposta “bem escrita”, mas errada em essência.

Sob a ótica do empresário serial Ian Cunha, o viés mais comum não é maldade, é simplificação. A IA reduz complexidade para caber em um padrão previsível. Isso pode ajudar em tarefas operacionais, mas pode atrapalhar em decisões estratégicas, nas quais nuance importa. Dessa maneira, confiar em uma recomendação sem entender suas premissas pode transformar eficiência em erro rápido.
Quando a forma convence mais do que o conteúdo?
Existe um viés psicológico perigoso: a tendência de acreditar no que parece técnico. A IA escreve com confiança, organiza argumentos e apresenta conclusões com fluidez. Esse formato cria uma “aura” de autoridade, fazendo a equipe aceitar recomendações que não foram devidamente questionadas.
Na visão do fundador Ian Cunha, o risco de IA e decisões está no deslocamento de critério. A organização pode passar a confiar mais na resposta do algoritmo do que na própria leitura de contexto. Como resultado, decisões passam a ser justificadas por uma ferramenta, e não por uma estratégia. Quando isso acontece, o time perde autonomia e a empresa perde capacidade de aprender, porque o pensamento crítico é substituído por aceitação.
Qual é o papel da pergunta e do contexto?
A qualidade de uma recomendação depende da qualidade da pergunta e do contexto fornecido. Se o input é incompleto, a resposta pode ser coerente e ainda assim inadequada. Por conseguinte, evitar vieses não é apenas checar o output; é estruturar o problema com rigor.
Como aponta o CEO Ian Cunha, o uso maduro da IA envolve tratar a recomendação como hipótese, não como sentença. Hipóteses pedem validação. Elas ajudam a organizar opções, a mapear prós e contras e a antecipar riscos, mas não substituem a leitura humana do cenário, especialmente em decisões que envolvem reputação, pessoas ou alavancagens significativas.
Governança e responsabilidade: A IA e suas decisões exigem limites claros
Uma empresa precisa definir o que pode ser apoiado por IA e o que exige juízo humano integral. Isso não é burocracia; é governança. Sem limites, a tecnologia se infiltra em escolhas críticas e cria dependência. Com limites, ela se torna uma ferramenta de produtividade com controle de risco.
Segundo o superintendente geral Ian Cunha, a responsabilidade não é terceirizável. A IA pode sugerir, mas não responde pelo impacto. Essa distinção protege a empresa de decisões “matematicamente bonitas” e estrategicamente ruins. Em última análise, a organização que usa IA com maturidade preserva um princípio simples: quem decide precisa entender por que decide.
Como não terceirizar seu critério para uma IA?
A IA e suas decisões podem elevar a qualidade do trabalho quando ampliam análise, reduzem ruído e organizam alternativas. Contudo, podem reduzir qualidade quando o time confunde fluidez com verdade e terceiriza critério para um algoritmo.
Evitar vieses significa preservar pensamento crítico, definir limites e tratar recomendações como hipóteses que precisam de contexto e validação. Quando a empresa faz isso, a IA deixa de ser um oráculo e passa a ser o que ela deveria ser: um instrumento de apoio para decisões mais conscientes.
Autor: Simon Smirnov
