Defesa Civil municipal e estadual unem forças para enfrentar o segundo semestre com previsões de calor intenso e risco de incêndios.
Quem vive em Cuiabá sabe que o período de seca não é apenas um dado climático. É uma realidade que altera a rotina, compromete a saúde e coloca em risco o meio ambiente da região com uma intensidade que boa parte do país não experimenta. Em 2026, o sinal de alerta acendeu cedo. A Prefeitura de Cuiabá reuniu as Defesas Civis municipal e estadual para iniciar o planejamento integrado para o período de estiagem, diante da previsão de um cenário climático mais seco e quente em Mato Grosso. A articulação entre os dois órgãos, que nem sempre funcionou de forma coordenada no passado, é vista como um avanço concreto na capacidade de resposta da cidade. Plantaonews
O que torna 2026 especialmente preocupante é a influência de um fenômeno climático já esperado para o segundo semestre. As previsões climáticas indicam influência do fenômeno El Niño no segundo semestre, com possibilidade de seca intensa nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Para Cuiabá, que fica a cerca de 100 quilômetros de Poconé e às margens do Pantanal, isso significa que o risco de queimadas, de queda na qualidade do ar e de ondas de calor extremo é real e deve ser levado a sério desde agora. A capital mato-grossense já registrou, em anos anteriores, temperaturas que chegaram a 44°C na sombra durante períodos de queimada intensa. Plantaonews
Escolas, terrenos baldios e zonas rurais no centro do plano
Uma das novidades do planejamento de 2026 é a inclusão de um ator que raramente aparece nas estratégias de prevenção de queimadas: as escolas. O município prevê a inclusão da Secretaria Municipal de Educação nas ações preventivas, por meio do projeto “Sentinelas do Futuro”, que levará orientações sobre prevenção às queimadas para estudantes da rede municipal, com o objetivo de fortalecer o trabalho de conscientização desde as escolas. A ideia faz sentido: quando uma criança aprende em sala de aula que soltar fogo em terreno baldio é crime ambiental e pode afetar a saúde de toda a vizinhança, esse conhecimento chega em casa e influencia o comportamento dos adultos. Plantaonews
A questão dos terrenos baldios, aliás, é um dos pontos mais sensíveis da rotina da Defesa Civil cuiabana. Todo ano, a falta de limpeza desses espaços privados contribui para a propagação rápida do fogo urbano, que começa num terreno descuidado e pode atingir residências e comércios em minutos. A Sorp já realiza notificações para limpeza de terrenos baldios e, segundo a Defesa Civil, áreas atingidas por incêndios serão alvo de relatórios técnicos e autuações, com possibilidade de encaminhamento ao Ministério Público por se tratarem de crime ambiental. Para o proprietário que ignora a notificação, o risco de responder na Justiça é real. Plantaonews
O Pantanal como contexto e como urgência
A situação do Pantanal adiciona uma dimensão ainda mais grave ao cenário. Embora o bioma tenha registrado queda histórica de 48,4% no desmatamento em 2025, as previsões climáticas para o segundo semestre seguem preocupantes, e o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade continuam intensificando operações de fiscalização. O que se sabe, a partir de estudos anteriores, é que quando a seca se combina com o uso irregular do fogo em propriedades rurais próximas ao bioma, o resultado pode ser devastador para a fauna e para os moradores das cidades vizinhas. Mtfatos
Levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil apontam que Mato Grosso figura entre os estados com maiores prejuízos ao setor agropecuário decorrentes de queimadas, o que mostra que o problema não é apenas ambiental, mas também econômico. Pecuaristas, agricultores familiares e produtores rurais são vítimas diretas quando o fogo escapa do controle, seja em incêndios criminosos ou em queimadas mal gerenciadas. A prevenção, portanto, não é só obrigação do poder público, mas também interesse direto de quem depende da terra para viver. CNN Brasil
O que o cuiabano pode fazer agora
O planejamento institucional é necessário, mas não substitui a ação de cada cidadão. A Defesa Civil de Cuiabá orienta que moradores não ateiem fogo em lixo ou vegetação seca, reportem focos de incêndio pelo número 193 (Corpo de Bombeiros) e mantenham calçadas e terrenos de sua responsabilidade limpos durante todo o período de estiagem. O enfrentamento ao período de seca vai além do combate às queimadas e inclui ações voltadas à prevenção de crises hídricas, impactos na saúde pública, proliferação de insetos e aumento das ondas de calor. Plantaonews
Quem tem filhos nas escolas municipais deve ficar atento ao projeto Sentinelas do Futuro, que será uma boa oportunidade de discutir o tema em casa. Cuiabá tem uma relação intensa e contraditória com o clima, fruto de sua localização geográfica e de décadas de crescimento urbano que nem sempre respeitou os limites do ambiente natural. Aproveitar 2026, com toda a sua complexidade climática, para construir uma cultura de prevenção mais sólida é tanto uma necessidade quanto uma responsabilidade coletiva.
Fontes: Plantão News — plantaonews.com.br | MT Fatos — mtfatos.com.br
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
