Governo endurece regras para uso de inteligência artificial em contratos públicos: o que muda para empresas de tecnologia em Cuiabá e Mato Grosso

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
7 Min de leitura

Nova portaria estabelece critérios de governança para o uso de IA em contratos de tecnologia do governo federal e pode criar oportunidades para empresas que atuam com transformação digital.

A inteligência artificial vem ocupando um espaço cada vez maior na administração pública brasileira, mas seu avanço também exige regras para garantir transparência, segurança e responsabilidade. Na última semana, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) publicou a Portaria SGD/MGI nº 5.921/2026, que atualiza o modelo de contratação de serviços de operação de infraestrutura de tecnologia da informação utilizado por cerca de 250 órgãos do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (SISP). A principal novidade é a inclusão de diretrizes específicas para a governança da inteligência artificial nos contratos firmados pelo governo federal. A norma entra em vigor em 1º de setembro de 2026. (Serviços e Informações do Brasil)

Embora a regulamentação seja direcionada aos órgãos federais, seus efeitos tendem a alcançar empresas de tecnologia, startups e fornecedores de soluções digitais em todo o país. Para Cuiabá e Mato Grosso, onde cresce o número de empresas especializadas em software, automação, análise de dados e inteligência artificial aplicada ao agronegócio e aos serviços públicos, a medida representa um novo cenário de oportunidades e também de exigências. Negócios que pretendem disputar licitações federais precisarão demonstrar maturidade em governança, proteção de dados e uso responsável da IA, fatores que passam a influenciar a competitividade no mercado público. (Serviços e Informações do Brasil)

O que muda nas contratações públicas com as novas regras

A nova portaria atualiza um modelo de contratação criado em 2023 para serviços de operação de infraestrutura tecnológica e atendimento aos usuários. A partir da nova regulamentação, o uso de ferramentas de inteligência artificial por empresas contratadas deverá estar expressamente previsto no Termo de Referência ou na política de governança de IA do órgão responsável pela contratação. Isso significa que a utilização da tecnologia deixa de ser uma decisão exclusivamente operacional da empresa e passa a obedecer critérios previamente definidos pela administração pública. (Serviços e Informações do Brasil)

Outro ponto importante é que a norma busca garantir que a inteligência artificial seja utilizada para aumentar a eficiência dos serviços sem comprometer a segurança das informações ou os direitos dos cidadãos. Os contratos deverão prever mecanismos de supervisão, responsabilidades e boas práticas relacionadas ao uso da IA. Além disso, a portaria incorpora conceitos como Green IT, GreenOps e FinOps, incentivando práticas voltadas à redução do consumo de energia, melhor gestão dos recursos tecnológicos e maior eficiência operacional dos ambientes digitais do governo. (Serviços e Informações do Brasil)

Na prática, fornecedores precisarão investir não apenas em tecnologia, mas também em processos internos de governança, documentação e gestão de riscos. Empresas que já trabalham com conformidade, segurança da informação e desenvolvimento responsável de soluções baseadas em IA tendem a sair na frente nas futuras licitações públicas. (Transformação Digital do Setor Público)

Como empresas de Cuiabá e Mato Grosso podem ser beneficiadas

O setor de tecnologia de Mato Grosso vem crescendo nos últimos anos, impulsionado pelo agronegócio, pela digitalização dos serviços públicos e pelo fortalecimento do ecossistema de inovação em Cuiabá. Startups, empresas de software e consultorias especializadas em transformação digital já desenvolvem soluções para gestão pública, agricultura de precisão, logística, saúde e educação. Com as novas regras, esse mercado pode ganhar ainda mais relevância.

Empresas locais que desejam fornecer serviços ao governo federal terão a oportunidade de adaptar seus processos às novas exigências e ampliar sua participação em licitações nacionais. A regulamentação também estimula a profissionalização do setor, incentivando investimentos em governança corporativa, proteção de dados, auditoria de algoritmos e desenvolvimento ético de aplicações de inteligência artificial. Esse movimento pode aumentar a competitividade das empresas mato-grossenses inclusive em contratos firmados com estados, municípios e grandes organizações privadas, que costumam seguir tendências adotadas pela administração federal. (Serviços e Informações do Brasil)

Outro reflexo importante envolve a geração de empregos qualificados. À medida que cresce a demanda por especialistas em governança de IA, segurança cibernética, ciência de dados e arquitetura de sistemas, universidades e instituições de ensino da região podem ampliar cursos voltados para essas áreas, fortalecendo a formação de profissionais preparados para um mercado em rápida transformação.

Por que a governança da inteligência artificial será cada vez mais estratégica

A adoção acelerada da inteligência artificial traz ganhos de produtividade, mas também amplia a necessidade de transparência, controle e responsabilidade. Sistemas automatizados podem influenciar decisões administrativas, organizar informações e apoiar processos internos do governo. Por isso, especialistas defendem que a tecnologia seja acompanhada por mecanismos claros de supervisão humana, proteção de dados e avaliação contínua dos riscos.

Para Mato Grosso, essa tendência representa uma oportunidade de fortalecer iniciativas de governo digital e ampliar a utilização da IA em áreas como saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana e gestão ambiental. Municípios que investirem em infraestrutura tecnológica e em boas práticas de governança poderão oferecer serviços públicos mais eficientes, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do cidadão.

Nos próximos meses, a entrada em vigor da Portaria SGD/MGI nº 5.921/2026 deverá influenciar novos editais e contratos federais, criando um padrão mais rigoroso para o uso da inteligência artificial na administração pública. Para empresas de Cuiabá e de todo Mato Grosso, acompanhar essa mudança pode significar mais do que cumprir uma exigência regulatória. Pode representar uma oportunidade de conquistar novos mercados, desenvolver soluções mais seguras e posicionar o estado como um polo regional de inovação e tecnologia aplicada ao setor público. (Serviços e Informações do Brasil)

Compartilhe este artigo