Câmara aprovou por unanimidade adesão a programa federal que estica o prazo de pagamento para até 30 anos e zera os juros reais sobre o débito.
A relação entre municípios e o governo federal ganhou um novo capítulo em Cuiabá nesta semana. A Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade, na terça-feira (1º), o projeto de lei do Executivo municipal que autoriza a renegociação de uma dívida de R$ 30,46 milhões mantida com a União. A votação garante um alívio imediato nas contas da Prefeitura sem gerar qualquer despesa nova ou endividamento adicional para os cofres públicos.
A dúvida que fica para o cuiabano é simples: de onde vem esse dinheiro extra e o que muda, na prática, para os serviços públicos da capital. A resposta está em uma engrenagem federal pouco conhecida do grande público, mas que tem ganhado espaço nas prefeituras brasileiras ao longo de 2026.
O que muda com a adesão ao programa federal
Atualmente, o município tinha previsão de quitar a dívida em apenas 42 parcelas de aproximadamente R$ 846,4 mil cada, um ritmo de pagamento considerado pesado para o orçamento municipal. Com a adesão ao programa federal, baseado na Emenda Constitucional nº 136, de 2025, e em regulamentações que permitem o refinanciamento de débitos municipais em condições mais favoráveis, o débito poderá ser quitado em até 360 parcelas, ou seja, 30 anos, corrigido apenas pela inflação medida pelo IPCA e com juros reais de 0% ao ano.
A Prefeitura estima que a mudança resulte em uma redução bruta de cerca de R$ 9,14 milhões por ano nas despesas com o serviço da dívida. Há, porém, uma contrapartida prevista na legislação federal: o município precisa destinar anualmente 4% do saldo atualizado da dívida para investimentos que atendam aos critérios estabelecidos pelas regras do programa, o que evita que a renegociação vire simples alívio de caixa sem retorno para a população.
Descontado esse percentual obrigatório, o espaço fiscal líquido estimado para Cuiabá é de R$ 7,92 milhões por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 660 mil por mês, valores que deixam de estar comprometidos com o pagamento das parcelas originais e passam a poder ser direcionados a investimentos e à manutenção de serviços na capital.
O prazo que a Prefeitura precisa cumprir junto ao Tesouro
A aprovação na Câmara é apenas uma etapa do processo. Para que a renegociação produza efeito, a Prefeitura de Cuiabá precisa formalizar a adesão junto à Secretaria do Tesouro Nacional até o dia 9 de setembro de 2026, prazo que já está em curso e que explica a urgência da votação unânime dos vereadores nesta semana.
A legislação municipal, segundo o texto aprovado, mantém as garantias previstas nos acordos originais de dívida e contragarantia firmados anteriormente com a União. Há ainda uma restrição relevante embutida na regra federal: o município não poderá contrair novos empréstimos ou outras operações de crédito com a finalidade específica de pagar as parcelas do refinanciamento, o que busca impedir que a renegociação se transforme em um novo ciclo de endividamento para cobrir o próprio acordo.
Segundo a justificativa apresentada pelo Executivo municipal na tramitação do projeto, a renegociação proporciona um expressivo alívio no fluxo de caixa mensal da Prefeitura e elimina a incidência de juros reais sobre o saldo devedor, condição que não existia no modelo anterior de amortização.
O impacto para o orçamento da capital
Na modalidade escolhida pela administração municipal, Cuiabá poderá escolher, entre as alternativas oferecidas pelo governo federal, os encargos aplicáveis ao novo contrato de refinanciamento. Essa flexibilidade é vista por técnicos da área fiscal como um dos principais atrativos do programa em relação a outras formas de renegociação de dívida disponíveis para municípios brasileiros nos últimos anos.
Para o cidadão, o efeito prático da medida tende a aparecer de forma indireta, na manutenção de investimentos em áreas como infraestrutura, mobilidade e serviços urbanos, já que o espaço fiscal liberado deixa de estar preso ao pagamento de parcelas elevadas e passa a compor o planejamento orçamentário da Prefeitura para os próximos meses.
O caso de Cuiabá se soma a um movimento observado em diversas prefeituras brasileiras que buscaram, ao longo de 2026, se enquadrar nas novas regras de refinanciamento de débitos com a União, um reflexo direto da política de ajuste fiscal municipal impulsionada pela Emenda Constitucional aprovada em 2025 e que segue moldando a relação entre entes federativos neste ano.
Fontes consultadas:
https://cenariomt.com.br/mato-grosso/folga-no-caixa-camara-aprova-por-unanimidade-renegociacao-que-alivia-divida-de-r-30-mi-de-cuiaba/
https://www.pontonacurva.com.br/executivo/cuiaba-podera-parcelar-divida-de-r-304-mi-com-a-uniao-em-ate-30-anos/34809
https://ftnbrasil.com.br/prefeito-abilio-autoriza-cuiaba-a-parcelar-divida-de-r-30-4-milhoes-com-a-uniao/
