Alfabetização em Cuiabá sobe de 47% para 61% e rede municipal fica perto da meta do MEC

Camille Dorevan
Por Camille Dorevan
7 Min de leitura

Resultado marcou o 2º Seminário Municipal Alfabetiza MT, que reuniu educadores para trocar experiências; rede também ampliou a formação de professores para recuperar a aprendizagem de alunos com defasagem

O avanço da alfabetização na rede municipal de Cuiabá, que passou de 47% para 61% entre 2025 e 2026, foi o principal assunto do 2º Seminário Municipal Alfabetiza MT, realizado pela Prefeitura na quarta-feira (23), no auditório Maestro China, sede da Secretaria Municipal de Educação (SME). O encontro reuniu profissionais da educação para apresentar metodologias que deram certo, atividades culturais e soluções práticas para os desafios do dia a dia das escolas.

Com o novo índice, o município fica a apenas um ponto percentual da meta de 62% estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC) para o período. O programa Alfabetiza MT funciona em regime de colaboração entre a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado e tem como objetivo qualificar as práticas pedagógicas e garantir que as crianças sejam alfabetizadas na idade certa.

O que explica o avanço nos índices

Para o secretário adjunto de Monitoramento e Estatística da SME, Rodrigo Dourado, o salto nos números está ligado à prioridade dada ao ensino em sala de aula. Segundo ele, investimentos em infraestrutura, transporte e alimentação têm sua importância, mas “o trabalho pedagógico permanece como prioridade”. Dourado também defendeu que espaços de troca como o seminário sejam levados a mais unidades.

A mesma leitura apareceu na fala de outros gestores, que apontaram o trabalho em equipe e o compartilhamento de experiências como o motor das melhorias. A diretora da Diretoria Metropolitana de Educação (DME), Aline de Andrade e Silva, reforçou o papel da formação continuada, lembrando que as estratégias apresentadas ajudam as escolas a encontrar respostas conjuntas para problemas comuns.

Representando o secretário municipal de Educação, Reginaldo Alves Teixeira, a diretora de Ensino, Ivone Machado, ressaltou o caráter comemorativo do evento. Ela explicou que o encontro foi pensado para celebrar e valorizar práticas pedagógicas que vêm fortalecendo o trabalho nas unidades da rede.

Projetos de sala de aula que chamaram atenção

Entre as experiências apresentadas, a “Tenda Literária”, voltada à Educação Infantil, despertou o interesse de quem trabalha fora da área urbana. A diretora Mirian Margareth Oliveira Zanca, da Emebc Nossa Senhora da Penha França, contou que pretende adaptar a proposta para a realidade do campo e disse ter saído do seminário com várias ideias para aplicar na escola.

Outro trabalho exposto explorou o universo dos dinossauros e dos animais da antiguidade. O projeto foi desenvolvido na Emeb São João Bosco pela professora Laurinéia Rodrigues Vilalva e pela coordenadora pedagógica Verônica Passarinho Santos, e mostrou como temas lúdicos e investigativos podem ajudar a consolidar novas formas de ensinar.

Os próprios estudantes também tiveram espaço na programação. Alunos do Projeto de Musicalização da Emeb Ana Luiza Prado Bastos e do 3º ano da Emeb Madre Marta Cerutti apresentaram “A Hora do Conto” e uma interpretação do poema “A Casa”, de Vinícius de Moraes.

Salas de Recomposição reforçam o atendimento a alunos com defasagem

O seminário ocorreu na mesma semana em que a SME divulgou um novo ciclo de formação para cerca de 130 professores do programa Salas de Recomposição da Aprendizagem (SRA). A capacitação, feita em parceria com a editora Brasil Cultural, busca aprimorar o diagnóstico pedagógico e o atendimento individualizado a alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental com dificuldades em alfabetização e letramento matemático.

Implantado em 2025, o programa já está presente em 83 unidades educacionais do município. As formações acontecem em modelo híbrido, com orientações on-line e encontros presenciais mensais no auditório Maestro China. Nas sessões práticas, os professores trabalham com a metodologia do Programa Um Giro pela Aprendizagem.

Segundo a assessora pedagógica do Ensino Fundamental, Thatiany Soares Corrêa, cada escola participante conta com um professor da sala de recomposição nos períodos matutino e vespertino. O aluno recebe duas horas semanais de atendimento complementar em Língua Portuguesa e Matemática, sem precisar deixar de frequentar a turma regular.

Próximos passos e o que muda para as famílias

A coordenadora técnica do Ensino Fundamental, Edilaine Maria Mendes Ferreira, explica que o acompanhamento individualizado permite ao professor identificar as dificuldades específicas de cada estudante e montar estratégias sob medida. A ideia é antecipar o diagnóstico antes que o acúmulo de conteúdos comprometa o desempenho ao longo da vida escolar.

O secretário Reginaldo Alves Teixeira afirmou que a consolidação das salas de recomposição faz parte de um plano maior da gestão do prefeito Abilio Brunini, que inclui a criação de um Centro de Formação Continuada do Município. Segundo ele, a estrutura deve orientar e direcionar as ações de capacitação dos educadores daqui em diante.

Para os pais, o efeito mais direto está no reforço oferecido dentro da própria escola: crianças do 3º ao 5º ano com dificuldade de leitura, escrita ou cálculo podem ser atendidas sem sair da sala regular. Com o índice a um ponto da meta federal, a coordenação do seminário avalia que a combinação de formação, valorização profissional e troca de metodologias dá base para que a rede continue avançando.

Fontes:

Compartilhe este artigo