Defesa Civil emite boletim climático semanal com alerta para calor intenso e risco elevado de incêndios na capital mato-grossense.
Os moradores de Cuiabá precisam redobrar os cuidados com a saúde nos próximos dias. A Defesa Civil do município divulgou o Boletim Climático Semanal nº 005/2026, apontando uma queda expressiva na umidade relativa do ar, que deve variar entre 14% e 30% até o próximo domingo. A informação tem gerado uma dúvida recorrente entre a população: por que esses índices são considerados perigosos e o que muda na rotina de quem vive na capital? A resposta está diretamente ligada tanto à saúde quanto ao risco de incêndios urbanos e florestais, dois problemas que se agravam justamente nesta época do ano em Mato Grosso.
De acordo com os dados repassados pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), pelo menos três dias da semana devem registrar umidade abaixo de 20%, patamar classificado pelas autoridades de emergência como crítico. As temperaturas máximas, por sua vez, devem oscilar entre 35°C e 36°C, combinação que costuma preocupar especialmente famílias com crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas. Esse cenário não é incomum em Cuiabá durante o período de seca, mas a intensidade prevista para os próximos dias chamou atenção das equipes de monitoramento municipal.
Por que a umidade baixa é considerada um risco à saúde
O secretário municipal de Defesa Civil, coronel BM Alessandro Borges, explicou que o ar seco combinado ao calor intenso amplia consideravelmente a procura por atendimento médico na capital. Segundo ele, a poeira em suspensão e a redução da umidade agravam quadros respiratórios já existentes, além de favorecer o surgimento de novos casos entre a população mais vulnerável. Esse tipo de orientação costuma ser repetido todos os anos pela Defesa Civil, mas a recomendação ganha peso extra quando os índices se aproximam dos 14%, como projetado para o sábado.
Além dos cuidados médicos, o boletim reforça hábitos simples que ajudam a reduzir os impactos do tempo seco no organismo. A hidratação constante é o primeiro ponto citado pelas autoridades, seguida da recomendação de evitar exercícios físicos ao ar livre nos horários de maior calor, geralmente entre o meio-dia e as 16 horas. Também é sugerido o uso de soro fisiológico para hidratar as vias respiratórias e a manutenção de ambientes internos umidificados, principalmente durante a noite, quando a queda da umidade tende a ser mais acentuada. Moradores de bairros mais distantes do centro, onde a arborização é menor, costumam sentir esses efeitos de forma ainda mais intensa.
O que muda em relação ao risco de incêndios na região
Quando a umidade relativa cai abaixo de 30%, o risco de incêndios já é classificado como moderado pelas autoridades de emergência. Abaixo de 20%, no entanto, o cenário passa a ser tratado como de risco muito alto, tanto para queimadas em áreas de vegetação quanto para focos de incêndio em regiões urbanas. Coronel Borges destacou que essa condição vai se repetir por pelo menos três dias consecutivos nesta semana, o que exige atenção redobrada de moradores que residem próximos a terrenos baldios, matas ciliares ou áreas com acúmulo de material seco.
A orientação da Defesa Civil é que a população evite qualquer tipo de queima, mesmo em pequena escala, e denuncie focos de incêndio assim que forem identificados. O órgão também reforça que qualquer situação de emergência relacionada ao clima pode ser comunicada pelo telefone 199, disponível para atendimento da Defesa Civil de Cuiabá. Esse tipo de contato direto tem se tornado cada vez mais frequente durante os meses de seca, quando o volume de ocorrências tende a crescer em toda a região metropolitana.
Historicamente, o período entre julho e setembro concentra os índices mais baixos de umidade em Cuiabá, fenômeno associado à ausência de chuvas na região Centro-Oeste nessa época do ano. O alerta emitido pela Defesa Civil, portanto, não representa uma exceção climática, mas sim um reforço institucional para que a população se prepare adequadamente diante de um padrão que se repete anualmente na capital mato-grossense.
Diante desse cenário, especialistas em saúde pública recomendam que moradores de Cuiabá mantenham o acompanhamento das previsões diárias divulgadas pelos órgãos oficiais, já que os índices podem variar de um dia para o outro dentro da mesma semana. A recomendação vale principalmente para famílias que possuem crianças em idade escolar ou parentes idosos, grupos historicamente mais suscetíveis aos efeitos do ar seco combinado às altas temperaturas registradas na capital.
