Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, encontra nas viagens uma oportunidade de ampliar o olhar sobre arquitetura e interiores. Observar diferentes lugares permite perceber como luz, materiais, circulação, proporção e integração com o entorno influenciam a experiência dos espaços, oferecendo referências que vão além das tendências vistas em telas e catálogos. Nesse contato com paisagens, culturas e construções, viajar pode se transformar em uma fonte de repertório para pensar projetos a partir daquilo que existe no mundo real.
Por que conhecer lugares diferentes amplia o repertório?
Projetos arquitetônicos são influenciados pelo contexto em que estão inseridos. Clima, disponibilidade de materiais, hábitos culturais, características do terreno e formas de ocupação ajudam a determinar como os espaços são construídos e utilizados. Ao viajar, o profissional pode observar essas relações funcionando na prática, em vez de conhecê-las apenas por fotografias ou referências técnicas.
Uma casa em uma região quente pode recorrer a estratégias de ventilação e proteção solar diferentes das utilizadas em locais de temperaturas mais baixas. Da mesma forma, cidades históricas apresentam soluções que respondem a outras épocas, enquanto construções contemporâneas podem explorar tecnologias e materiais recentes. A comparação entre esses cenários ajuda a perceber que não existe uma única maneira de resolver necessidades semelhantes.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, esse tipo de observação também pode contribuir para o desenvolvimento de um olhar mais atento. Viajar não significa simplesmente acumular imagens bonitas, mas perceber por que determinado ambiente funciona e quais escolhas estão por trás daquela experiência. A relação entre luz, materiais, proporções e circulação pode revelar soluções que não seriam percebidas apenas por fotografias, ampliando o repertório para projetos futuros.
O que os espaços cotidianos ensinam que as fotos não mostram?
Uma fotografia registra aparência, mas não necessariamente revela como um lugar é experimentado. Ao caminhar por uma rua, entrar em uma residência histórica ou permanecer em uma praça, o visitante percebe aspectos como escala, temperatura, sons, sombras, circulação de pessoas e relação entre espaços internos e externos. Essas características ajudam a compreender como as escolhas arquitetônicas interferem na maneira como um espaço é percebido e utilizado ao longo do dia.

Daugliesi Giacomasi Souza destaca que essas sensações são importantes porque a arquitetura não é percebida apenas visualmente. A experiência de um ambiente envolve o corpo inteiro. A altura de um teto, a entrada de luz natural, a distância entre móveis e a maneira como as pessoas circulam podem alterar a percepção de conforto sem que o visitante consiga explicar imediatamente o motivo. Ao vivenciar essas situações durante uma viagem, a profissional consegue observar na prática efeitos que muitas vezes permanecem escondidos em plantas, fotografias e projetos apresentados no papel.
Como culturas diferentes influenciam a arquitetura?
Cada sociedade desenvolve maneiras próprias de organizar os espaços. Há culturas que valorizam áreas de convivência amplas, enquanto outras priorizam ambientes mais reservados. A relação com refeições, encontros familiares, trabalho, descanso e atividades coletivas também influencia a configuração das construções. Essas diferenças mostram que a arquitetura não responde apenas a questões técnicas, mas também aos hábitos e valores de quem utiliza cada ambiente, comenta Daugliesi Giacomasi Souza.
A viagem permite perceber que muitas escolhas consideradas naturais são, na verdade, culturais. A maneira de posicionar uma mesa, separar ambientes ou criar áreas de transição entre interior e exterior pode mudar significativamente de um lugar para outro. Observar essas diferenças evita que o projeto fique limitado a modelos conhecidos. Ao entrar em contato com outras formas de morar e ocupar espaços, a profissional amplia as possibilidades de pensar soluções para necessidades que podem ser semelhantes, mas se manifestam de maneiras diferentes.
Daugliesi Giacomasi Souza pode transformar esse repertório em novas perguntas para seus próprios projetos. Em vez de reproduzir literalmente um elemento encontrado durante uma viagem, a experiência pode inspirar uma solução adaptada à realidade do cliente, preservando sua função sem copiar sua aparência. Essa interpretação é importante para que a referência cultural se transforme em repertório criativo, respeitando as características do imóvel, os hábitos dos moradores e as condições específicas de cada projeto.
Para conhecer mais referências e projetos da DGdecor, o público pode acompanhar Daugliesi Giacomasi Souza no Instagram @dgdecor.construir.
