Por que a gestão do tempo é considerada o recurso mais escasso no ambiente empresarial?

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Alfredo Moreira Filho nota que todo mundo trabalha muito e poucas coisas realmente andam. Essa é a contradição que a rotina de gestão produz com uma regularidade quase administrativa. O dia foi cheio, a lista foi cumprida, e os projetos que decidem o próximo ano continuam exatamente onde estavam na segunda-feira. 

O que se chama de falta de tempo costuma ser falta de critério de separação. Urgência tem voz alta, prazo curto e alguém cobrando do outro lado. Importância é silenciosa e não liga para lembrar. Estruturar prioridades é um procedimento, não um traço de personalidade. Confira a seguir como executá-lo.

Você consegue identificar o que realmente consome seu dia a dia profissional?

Durante cinco dias úteis, anote tudo o que consumiu mais de quinze minutos. Reuniões, ligações, aprovações, conversas de corredor que viraram decisão. Sem julgamento, sem tentar melhorar o comportamento durante a medição.

O registro serve para uma coisa: substituir a impressão pela evidência. Quase sempre o resultado surpreende. Blocos inteiros do dia aparecem alocados em assuntos que ninguém classificaria como prioritários se fosse perguntado de manhã. Alfredo aponta que a memória protege o gestor de si mesmo, o registro não.

Quando o fornecedor vai exigir uma resposta sobre o pedido de dez mil reais?

Um fornecedor liga cobrando resposta hoje sobre um pedido de dez mil reais. Um contrato de trezentos mil vence em quatro meses e ainda não foi renegociado. O primeiro tem prazo. O segundo tem consequência.

Alfredo Moreira Filho destaca que a urgência é uma característica do prazo. Importância é uma característica do impacto. Quando as duas se confundem, a empresa passa a ser dirigida por quem grita mais alto, e não por quem gera mais resultado. Para cada item da lista, pergunte separadamente: quando isso vence e o que acontece se não for feito?

Itens com prazo curto e consequência baixa existem para serem delegados ou padronizados. É onde mora a maior parte do desperdício.

Quanto vale a renegociação do contrato que você vem adiando?

Adiar não é neutro. Adiar tem preço, e o exercício útil é escrevê-lo. A renegociação do contrato, adiada por três meses, custa a diferença entre a condição atual e a condição possível, multiplicada pelos meses restantes de vigência.

Escrever esse valor muda o comportamento mais do que qualquer método de organização. Uma tarefa sem custo de adiamento calculado compete em pé de igualdade com tudo. Uma tarefa com o número escrito ao lado sobe sozinha na lista.

Reservar o dia antes que ele seja tomado

Prioridade sem espaço na agenda é intenção. Alfredo Moreira Filho esclarece que o bloco de tempo precisa ser marcado com antecedência, no horário de maior lucidez, e tratado com a mesma seriedade de um compromisso com cliente externo.

Duas horas por semana dedicadas ao que tem alta consequência e prazo longo mudam o resultado de um semestre. A dificuldade não é encontrar as duas horas. É defendê-las quando alguém aparece com um problema legítimo e barulhento. Quem não reserva o tempo antes, entrega-o depois, sempre para a urgência alheia.

A agenda revela a estratégia real da empresa

Existe um teste simples e desconfortável. Pegue o calendário dos últimos trinta dias e compare com o que a empresa diz que são suas prioridades. O documento de planejamento fala em expansão, qualificação de equipe, revisão de margem. A agenda fala em reuniões de apagamento de incêndio.

Quando os dois discordam, a agenda está certa. Ela mostra a estratégia executada, não a declarada. Alfredo Moreira comenta que sair da zona de conforto exige atitude concreta, e poucas atitudes são tão concretas quanto decidir, com nome e horário marcado, o que não será feito hoje.

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