Recomposição corporal segundo Lucas Peralles, nutricionista esportivo em São Paulo

Camille Dorevan
Por Camille Dorevan
5 Min de leitura

Duas pessoas podem perder o mesmo peso na balança e terminar com resultados corporais opostos. Lucas Peralles, nutricionista esportivo em São Paulo, vê esse contraste aparecer com frequência entre pacientes que chegam ao consultório medindo progresso apenas pelo peso perdido, sem olhar para a composição real do corpo.

Recomposição corporal é o nome dado a esse processo mais preciso, que olha para a composição do corpo, e não apenas para o ponteiro da balança usado como única referência. A diferença entre os dois objetivos muda o tipo de acompanhamento necessário já na primeira consulta, antes mesmo de qualquer ajuste no cardápio ou na rotina de treino da semana.

O que caracteriza a recomposição corporal, além da balança?

Perder peso costuma significar reduzir um número em qualquer direção, seja gordura, líquido retido ou massa muscular perdida junto com o restante. Recomposição corporal exige um objetivo mais específico: reduzir gordura corporal enquanto se preserva ou se ganha massa muscular no mesmo período de acompanhamento. Esses dois movimentos, em geral, pedem estratégias diferentes de alimentação e treino ao mesmo tempo, e não apenas um corte generalizado de calorias diárias.

Lucas Peralles aponta que essa combinação explica por que duas pessoas com o mesmo peso final podem ter passado por experiências corporais opostas ao longo do processo. Uma perdeu gordura e manteve força; a outra perdeu peso e também parte da musculatura que sustentava seu metabolismo ao longo do dia. O número na balança é igual, o resultado real no corpo não é.

Por que dois números iguais na balança podem esconder resultados opostos?

Avaliar apenas o peso corporal esconde essa diferença, porque a balança não distingue a origem da perda registrada em cada pesagem. Um exame de composição corporal, feito com regularidade ao longo do acompanhamento, mostra o que de fato mudou: quanto veio de gordura e quanto veio de músculo, informação que nenhum número isolado na balança consegue entregar sozinho ao paciente, mesmo com pesagens frequentes.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Lucas Peralles observa que essa distinção costuma surpreender pacientes acostumados a medir progresso só pelo peso perdido a cada semana. Quando o foco muda para composição corporal, decisões como frequência de treino de força e distribuição de proteína ao longo do dia passam a pesar tanto quanto o total de calorias consumidas nas refeições.

Como o acompanhamento nutricional e o treino se conectam nesse processo?

No Método LP, essa lógica não surgiu como resposta a uma tendência recente de mercado em torno do tema. A integração entre nutrição e treino de força já fazia parte da estrutura do atendimento muito antes de recomposição corporal virar um termo popular nas redes sociais e em conteúdos de bem-estar direcionados ao público geral, sem experiência prévia na área.

Lucas Peralles descreve o acompanhamento como uma combinação entre nutrição esportiva e orientação de treino sob o mesmo raciocínio, para que a alimentação sustente o esforço muscular, e não apenas reduza calorias de forma isolada. Na Clínica Peralles, essa integração acontece dentro do mesmo plano de acompanhamento, sem depender de profissionais que não conversam entre si.

O que sustenta a recomposição corporal ao longo do tempo?

Sustentar essa mudança exige um período maior do que uma dieta de resultado rápido costuma prever, porque o corpo responde de forma mais lenta a ganho ou preservação de massa muscular do que a uma simples perda de peso isolada, que pode acontecer em poucas semanas de restrição alimentar mais rígida e sem foco em treino de força.

Quem entende essa diferença deixa de medir progresso só pelo número da balança e passa a reconhecer sinais mais confiáveis de evolução real, como força nos treinos, disposição ao longo do dia inteiro e a forma como as roupas se ajustam ao corpo com o passar dos meses, mesmo quando o peso total varia pouco de uma semana para outra ao longo desse período mais longo de acompanhamento.

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