Parque Tecnológico de Mato Grosso ganha Centro de Inovação na Grande Cuiabá

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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 Novo espaço em Várzea Grande busca atrair startups, empresas de tecnologia e centros de pesquisa para a região metropolitana da capital

Depois de quase uma década de espera, a região metropolitana de Cuiabá ganhou um novo símbolo para o setor de tecnologia. O Governo de Mato Grosso inaugurou o Centro de Inovação do Parque Tecnológico Mato Grosso, localizado no bairro Chapéu do Sol, em Várzea Grande, cidade que integra a Grande Cuiabá. O espaço é apresentado como o maior projeto estratégico do estado para o desenvolvimento da inovação técnico-científica, com potencial para atrair empresas de base tecnológica, startups e centros de pesquisa para a capital e seu entorno. A dúvida que fica para quem acompanha o tema é: o que, na prática, esse parque muda para quem trabalha ou empreende com tecnologia em Cuiabá? É o que este texto detalha a seguir.

O que é e onde fica o novo Centro de Inovação

 

O Parque Tecnológico Mato Grosso está instalado na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, a poucos minutos do centro da capital, e tem como áreas prioritárias o agronegócio, a biotecnologia, a química verde, novos materiais, geociências e tecnologia da informação e comunicação. A escolha desses eixos não é aleatória: reflete diretamente a vocação econômica do estado, que combina uma das maiores produções agrícolas do país com uma demanda crescente por soluções tecnológicas aplicadas ao campo.

O Centro de Inovação é o primeiro edifício do complexo a entrar em operação e funciona como uma espécie de embrião do parque, concentrando espaços voltados ao desenvolvimento de negócios tecnológicos, incubação e aceleração de startups, capacitação profissional e integração entre universidades, setor produtivo e poder público. A estrutura conta ainda com usina de energia própria, o que garante autonomia energética e reforça o discurso de sustentabilidade associado ao projeto.

Entre as parcerias já firmadas para o funcionamento do parque estão a Embrapii, além de uma fábrica de software e robótica vinculada ao Instituto Federal de Mato Grosso e a Agência de Inovação da Universidade do Estado de Mato Grosso. O modelo de gestão para os dois primeiros anos de operação conta ainda com a parceria do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, referência nacional no setor, que tem entre suas empresas âncoras nomes como Embraer, Nestlé e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Como o parque pretende atrair empresas e gerar empregos

 

Para viabilizar a ocupação efetiva do espaço, a Prefeitura de Várzea Grande encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que cria incentivos específicos para negócios interessados em se instalar no complexo. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, o objetivo é criar um ambiente mais competitivo para receber empresas de base tecnológica e fortalecer o ecossistema de inovação que começa a se formar na região metropolitana de Cuiabá.

A expectativa dos gestores estaduais é que o parque gere cerca de mil empregos diretos de alto desempenho em áreas como engenharia e ciência de dados, número que pode chegar a três mil postos de trabalho quando considerados os efeitos indiretos sobre a economia local. Esses empregos tendem a se concentrar em funções que exigem qualificação técnica avançada, o que reforça a importância das parcerias com instituições de ensino já estabelecidas na região.

Além de atrair empresas de fora, uma das apostas do projeto é fortalecer negócios locais já consolidados em áreas como automação agrícola e logística, setores em que Mato Grosso já acumula experiência prática. A ideia é que o parque funcione como ponte entre o conhecimento acadêmico produzido nas universidades do estado e as demandas reais do setor produtivo, hoje um dos principais gargalos para transformar pesquisa em negócio na região.

Os desafios para transformar a estrutura em um polo real de inovação

 

Apesar do otimismo em torno da inauguração, especialistas em desenvolvimento regional costumam apontar que parques tecnológicos enfrentam um desafio comum no Brasil: sair do papel enquanto estrutura física e efetivamente se consolidar como ambiente ocupado por empresas e pesquisadores. A própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Várzea Grande reconhece esse ponto ao afirmar que o município está trabalhando para que o parque não seja apenas um prédio, mas um espaço efetivamente ocupado por startups, empresas e centros de pesquisa.

Outro desafio relevante é reter os profissionais qualificados formados na região, evitando que engenheiros e especialistas em tecnologia migrem para polos mais consolidados em outros estados, como São Paulo. A parceria com o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos pode ajudar nesse sentido, já que oferece um modelo de gestão testado e conexões diretas com empresas âncoras que já atuam em escala nacional.

Para que o Parque Tecnológico de Mato Grosso cumpra a promessa de se tornar um polo relevante de ciência e inovação, será necessário sustentar o interesse de empresas privadas ao longo dos próximos anos, além de garantir que os incentivos fiscais em discussão na Câmara de Várzea Grande sejam aprovados e efetivamente aplicados. O sucesso do projeto também depende de a região conseguir formar e reter mão de obra qualificada, evitando que os empregos gerados acabem preenchidos por profissionais vindos de fora do estado. Se essas condições forem atendidas, a Grande Cuiabá pode passar a figurar, nos próximos anos, entre as regiões brasileiras com ecossistema de inovação mais consolidado fora do eixo Sul e Sudeste.

Fontes consultadas:
FolhaMax
SECITEC Mato Grosso

 

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