Tecnologia de videolaparoscopia amplia cirurgias e ajuda a reduzir fila no Hospital Municipal de Cuiabá

Camille Dorevan
Por Camille Dorevan
9 Min de leitura

Hospital Municipal de Cuiabá avança no uso de cirurgia minimamente invasiva para retirada da vesícula; tecnologia utiliza câmera de alta definição, pequenas incisões e pode reduzir internação e acelerar a recuperação dos pacientes atendidos pelo SUS

O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) avançou na utilização da videolaparoscopia como parte da estratégia para ampliar a realização de cirurgias e reduzir a demanda acumulada na rede pública da capital. A iniciativa, destacada novamente nesta semana, beneficia pacientes encaminhados pela Central de Regulação e também reforça a capacidade do hospital de utilizar procedimentos menos invasivos na rotina assistencial. A tecnologia passou a ganhar espaço no HMC depois da implantação, em junho, do primeiro mutirão municipal de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia. (O Mato Grosso)

O projeto inicial estabeleceu um cronograma de 30 procedimentos, distribuídos entre junho e julho, com cinco cirurgias programadas em cada uma das seis datas previstas. Os pacientes contemplados já estavam inseridos na Central de Regulação Municipal e passaram pelos exames pré-operatórios necessários. A iniciativa foi criada justamente para atacar uma demanda reprimida por procedimentos eletivos e oferecer pelo SUS municipal uma técnica considerada mais moderna para a retirada da vesícula. (Cuiabá)

A videolaparoscopia permite que a equipe médica realize o procedimento por meio de pequenas incisões e acompanhe a área operada utilizando uma câmera de alta definição. Entre os benefícios apontados pela Secretaria Municipal de Saúde estão menor sangramento, redução do risco de infecção, cicatrizes menores, menos dor no pós-operatório e possibilidade de retorno mais rápido às atividades cotidianas. (Cuiabá)

Tecnologia muda dinâmica das cirurgias no HMC

Diferentemente de uma cirurgia aberta convencional, a videolaparoscopia utiliza pequenas aberturas para introdução dos instrumentos cirúrgicos e de uma câmera. As imagens são transmitidas em tempo real para a equipe médica, permitindo a visualização da região interna durante a operação. No mutirão de Cuiabá, a técnica está sendo empregada principalmente em colecistectomias, procedimento destinado à retirada da vesícula biliar. (Cuiabá)

A adoção do método não representa somente uma mudança tecnológica dentro do centro cirúrgico. Como a recuperação tende a ser mais rápida e o período de internação pode ser menor, existe também potencial para melhorar a utilização dos leitos hospitalares. O diretor técnico do HMC, Eduardo Andraus, afirmou na apresentação do programa que a redução do tempo de recuperação traz vantagens tanto aos pacientes quanto à própria rede hospitalar, que consegue otimizar seus leitos. (Cuiabá)

Esse efeito é especialmente importante em uma unidade que recebe pacientes provenientes das UPAs e desempenha papel relevante na assistência de média e alta complexidade em Cuiabá. Dados divulgados pela Prefeitura indicaram que, além das cirurgias especializadas, o HMC responde por parcela expressiva das transferências provenientes das unidades de pronto atendimento da capital. (Cuiabá)

Mutirão foi criado para enfrentar fila de espera

Quando anunciou a iniciativa, em junho, a Prefeitura estabeleceu seis datas para a realização das operações: 13, 20 e 27 de junho e 11, 18 e 25 de julho, inicialmente com cinco procedimentos em cada etapa. Dessa forma, o planejamento original previa 30 cirurgias. (Cuiabá)

Os pacientes não foram selecionados por ordem de chegada ao hospital no dia do mutirão. O atendimento foi destinado a pessoas que já estavam inseridas na Central de Regulação Municipal e passavam pela preparação necessária para a cirurgia. Esse modelo permite trabalhar diretamente sobre a demanda já registrada pelo sistema público, organizando os procedimentos conforme avaliação clínica e regulação. (Cuiabá)

A Secretaria Municipal de Saúde apresentou o mutirão como parte de um conjunto maior de medidas destinadas a acelerar atendimentos especializados e diminuir o tempo de espera. Além de ampliar quantitativamente as cirurgias, a estratégia procura incorporar tecnologias capazes de tornar os procedimentos mais eficientes e oferecer melhores condições de recuperação aos pacientes. (Cuiabá)

Rede municipal busca reduzir demanda reprimida

A introdução das cirurgias de vesícula por vídeo ocorreu em um período de reorganização mais ampla da assistência especializada em Cuiabá. No balanço do primeiro semestre de 2026, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a demanda reprimida por consultas, exames e cirurgias caiu de 421.981 para 320.679 solicitações, uma redução de 101.302 registros. (Cuiabá)

Além da videolaparoscopia, a rede informou ter ampliado outros procedimentos especializados. Entre as medidas citadas no balanço estão avaliações de pacientes que aguardavam neurocirurgias de alta complexidade, início de cirurgias de Ressecção Transuretral da Próstata (RTU) e implantação de atendimentos ambulatoriais destinados à cirurgia bariátrica. (Cuiabá)

O Hospital Municipal de Cuiabá também ampliou sua atuação em outras frentes cirúrgicas. A unidade promoveu, por exemplo, uma ação específica de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho. Segundo a Prefeitura, aproximadamente 20 procedimentos foram realizados nessa iniciativa. (Cuiabá)

Tecnologia pode aumentar rotatividade dos leitos

Um dos impactos indiretos da cirurgia minimamente invasiva está relacionado à organização hospitalar. Pacientes que permanecem menos tempo internados liberam leitos mais rapidamente, permitindo que a estrutura disponível seja utilizada para novos atendimentos. A própria Secretaria Municipal de Saúde apontou a maior rotatividade dos leitos como uma das vantagens associadas à videolaparoscopia. (Cuiabá)

Para uma rede pública que precisa conciliar urgências, emergências e procedimentos eletivos, esse ganho operacional pode ser relevante. A modernização tecnológica, portanto, não se limita ao equipamento utilizado na sala cirúrgica: ela pode influenciar desde o tempo de recuperação até a capacidade do hospital de receber novos pacientes.

O avanço da videolaparoscopia no HMC mostra como a incorporação de tecnologia médica pode ser utilizada simultaneamente para qualificar o tratamento e enfrentar gargalos do SUS municipal. O desafio passa a ser transformar iniciativas inicialmente estruturadas como mutirões em capacidade assistencial sustentável, mantendo equipamentos, equipes qualificadas e organização da regulação.

Modernização ganha espaço na saúde pública de Cuiabá

A videolaparoscopia integra um movimento mais amplo de incorporação tecnológica registrado na rede municipal em 2026. O balanço da Prefeitura também apontou a instalação do primeiro equipamento de ressonância magnética 3 Tesla da rede municipal no Hospital São Benedito, além da expansão de serviços especializados. (Cuiabá)

No caso específico do HMC, a cirurgia por vídeo representa uma combinação de inovação tecnológica e gestão da fila. A câmera de alta definição e os instrumentos minimamente invasivos oferecem novas possibilidades para a equipe cirúrgica, enquanto a organização dos pacientes por meio da Central de Regulação procura direcionar essa capacidade para pessoas que já aguardavam pelo procedimento.

A experiência iniciada em junho e destacada novamente em agosto coloca a tecnologia como uma das ferramentas utilizadas pela saúde municipal para aumentar a capacidade de atendimento. Se mantida e ampliada de forma estruturada, a videolaparoscopia pode contribuir não apenas para reduzir filas de procedimentos específicos, mas também para consolidar uma assistência cirúrgica menos invasiva e mais eficiente dentro do SUS de Cuiabá. (O Mato Grosso)

Fontes

O Mato Grosso — Mutirão no HMC avança com videolaparoscopia

Prefeitura de Cuiabá — Primeiro mutirão de videolaparoscopia no HMC

Prefeitura de Cuiabá — Cirurgias de vesícula por vídeo para reduzir fila

Prefeitura de Cuiabá — Balanço da saúde municipal no primeiro semestre

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