A política em Mato Grosso entra na reta decisiva: quem vai liderar as chapas e quais alianças estão sendo costuradas para outubro

Diego Velázquez
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Com convenções em julho, o estado vai definir os nomes que vão disputar governo, Senado e deputações em 2026.

Quando a política mato-grossense acorda para um ano eleitoral, ela o faz com uma intensidade que nem sempre aparece no noticiário nacional. As alianças regionais têm lógica própria, os partidos que se opõem na disputa presidencial muitas vezes se abraçam nas chapas estaduais, e o eleitor de Cuiabá e do interior sabe que quem chega ao governo de Mato Grosso tem nas mãos um dos estados mais estratégicos do Brasil, tanto pelo peso do agronegócio quanto pela importância ambiental do Pantanal e do Cerrado. Com o calendário eleitoral definido pelo TSE, o relógio está correndo.

Julho é o mês mais movimentado antes do início oficial da propaganda nas ruas. A partir do dia 5 de julho, pré-candidatos já podem realizar propaganda intrapartidária com vistas à indicação de seus nomes, observado o período de 15 dias que antecede a data da convenção definida pelo partido. Na prática, isso significa que nos próximos dias os bastidores da política cuiabana vão esquentar de vez. Reuniões em escritórios e sedes partidárias, negociações entre lideranças e a dança de nomes entre legendas vão ocupar cada vez mais espaço nas conversas de quem acompanha a política local. Tribunal Regional Eleitoral do Pará

O tabuleiro estadual em 2026

Mato Grosso vai eleger governador, senador, deputados federais e deputados estaduais em outubro. Cada um desses cargos tem seu próprio mercado de negociação. A disputa pelo governo estadual costuma ser a mais acirrada, dado o volume de recursos que o estado movimenta, especialmente por causa do agronegócio, que transformou Mato Grosso num dos maiores produtores agrícolas do mundo. Governadores são chefes do Poder Executivo estadual, responsáveis por políticas de saúde, segurança pública e educação, e sua eleição pelo sistema majoritário exige maioria simples no primeiro turno ou disputa em segundo turno. Isso torna a formação de chapas amplas e a escolha de um vice estratégico elementos fundamentais da corrida. Tribunal Superior Eleitoral

O Senado também é disputado em 2026. Mais de 158 milhões de brasileiros irão às urnas no primeiro domingo de outubro, e um dos aspectos menos comentados é que cada estado elegera dois senadores neste ciclo eleitoral. Para Mato Grosso, isso representa uma oportunidade rara de renovação na bancada federal com mandato de oito anos. Quem conquistar uma vaga no Senado por Mato Grosso em outubro vai estar lá até 2034, o que explica por que a disputa atrai tanto interesse de lideranças políticas consolidadas quanto de nomes novos que enxergam uma janela de oportunidade. Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo

Agronegócio e meio ambiente: o nó da política mato-grossense

Nenhum candidato ao governo de Mato Grosso pode ignorar a tensão permanente entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. O estado é ao mesmo tempo o maior produtor de soja e carne do Brasil e o guardião de dois dos biomas mais importantes do planeta, o Pantanal e parte do Cerrado. Como equilibrar isso não é apenas uma questão de discurso político, é o problema mais concreto que qualquer governador vai enfrentar no próximo mandato. As queimadas do segundo semestre, que já estão no radar do planejamento da Defesa Civil para 2026, tendem a ser um tema eleitoral inevitável para todos os candidatos.

Entre as principais iniciativas que têm contribuído para a redução do desmatamento estão os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e as operações de fiscalização do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Candidatos que conseguirem mostrar como vão fortalecer ou ampliar essas ações, sem antagonizar o setor produtivo, terão uma vantagem discursiva importante numa eleição que acontece no contexto de crescente pressão internacional sobre as práticas ambientais do agronegócio brasileiro. Mtfatos

As candidaturas e o papel dos partidos nacionais

A composição das chapas estaduais em Mato Grosso depende também das decisões que serão tomadas nas convenções nacionais. Partidos como PSD, PT, PL, MDB e União Brasil vão definir em julho suas estratégias para cada estado, e essas decisões têm impacto direto no que vai acontecer em Cuiabá. Uma federação bem articulada pode reunir legenda com tempo de TV e recursos do fundo eleitoral suficientes para bancar uma campanha competitiva. Uma aliança mal feita pode deixar candidatos sólidos sem estrutura para chegarem ao eleitor do interior.

Os candidatos que pretendem se candidatar nas eleições de 2026 precisam estar com o domicílio eleitoral regular na circunscrição onde desejam concorrer e com a filiação partidária devidamente regularizada até a data prevista no calendário eleitoral. Essa exigência técnica pode parecer burocrática, mas ela é o que garante que ninguém se apresente como candidato sem ter um vínculo real com o local onde pretende governar. No cenário mato-grossense, onde lideranças de outros estados tentam se inserir aproveitando a força política da bancada ruralista, esse critério é mais importante do que parece. Tribunal Superior Eleitoral

O eleitor cuiabano que quer participar ativamente desse processo pode começar agora: acompanhar as declarações dos pré-candidatos, checar as propostas que estão sendo apresentadas para Cuiabá e o interior, e verificar no portal do TSE se seu título está regular. Outubro está mais próximo do que parece, e o voto informado começa muito antes do dia da eleição.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — www.tse.jus.br | Tribunal Regional Eleitoral do Pará — www.tre-pa.jus.br

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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