Haroldo Augusto Filho, executivo com atuação em gestão de conflitos e estruturação de soluções corporativas, é uma referência técnica em um dos desafios mais recorrentes do ambiente empresarial: o alinhamento de interesses entre partes com objetivos distintos, horizontes temporais diferentes e percepções divergentes sobre valor. Em ambientes de alta complexidade, a capacidade de construir convergência entre interesses que, à primeira vista, parecem irreconciliáveis é o que determina se um processo negocial chega a um acordo funcional ou se fragmenta em disputas prolongadas.
Continue lendo para entender como esse processo funciona na prática e quais técnicas tornam o alinhamento de interesses uma vantagem competitiva real em negociações corporativas complexas.
Por que interesses divergem em ambientes corporativos?
A divergência de interesses em organizações não é uma anomalia; é uma consequência natural da estrutura corporativa. Diferentes áreas, sócios, investidores e parceiros comerciais operam com lógicas próprias, metas específicas e critérios de sucesso que nem sempre são compatíveis entre si. Reconhecer que a divergência é estrutural, e não pessoal, é o primeiro passo técnico para conduzir um processo de alinhamento com eficácia.
Dados do Global Negotiation Insights Report, publicado em 2025 pelo Chartered Institute of Arbitrators, indicam que 68% dos processos de negociação corporativa que fracassam têm como causa principal não a ausência de zona de acordo possível, mas a incapacidade das partes de identificar e comunicar seus interesses reais de forma estruturada. O problema, portanto, é menos de substância e mais de método.
A diferença entre posições e interesses no alinhamento corporativo
O conceito de separação entre posições e interesses, desenvolvido no âmbito do Projeto de Negociação de Harvard, é um dos fundamentos técnicos mais relevantes para o alinhamento em contextos corporativos complexos. Posições são as demandas explícitas que cada parte apresenta; interesses são as necessidades, preocupações e objetivos que motivam essas demandas. Uma empresa que exige prazo de pagamento de 30 dias está expressando uma posição cujo interesse subjacente pode ser fluxo de caixa previsível ou redução de risco operacional.

Como indica Haroldo Augusto Filho, o mapeamento de interesses deve preceder qualquer tentativa de construção de proposta. Avançar para a fase de oferta sem compreender adequadamente o que cada parte realmente precisa é um erro de sequência que compromete a qualidade do acordo, mesmo quando ele é formalmente alcançado.
Técnicas de alinhamento em negociações com múltiplos stakeholders
Em negociações que envolvem múltiplos stakeholders, o alinhamento de interesses se torna um processo multidimensional. Não basta identificar os interesses de cada parte isoladamente; é necessário compreender como esses interesses se relacionam entre si, onde há sobreposição, onde há complementaridade e onde há conflito direto. Uma das abordagens técnicas mais eficazes nesse contexto é a construção de uma matriz de interesses, ferramenta que permite visualizar, de forma estruturada, os objetivos de cada parte e o nível de compatibilidade entre eles.
Sob o entendimento de Haroldo Augusto Filho, a sequência de abordagem dos temas em uma negociação complexa não é neutra. Iniciar pelo ponto de maior conflito tende a cristalizar posições e dificultar o avanço; iniciar pelos pontos de convergência cria um histórico de acordo que facilita a negociação dos temas mais sensíveis nas etapas seguintes.
Preservação de relações como variável do alinhamento
Em negociações corporativas de longo prazo, o acordo imediato não é o único resultado relevante. A forma como o processo de alinhamento é conduzido afeta diretamente a qualidade da relação entre as partes após o fechamento, o que tem implicações práticas na implementação do acordo e na disposição das partes para colaborar em etapas futuras. Processos conduzidos com respeito às posições e interesses do outro lado tendem a gerar acordos com menor índice de revisão e maior estabilidade operacional.
Conforme examina Haroldo Augusto Filho, executivo da Fource Consultoria, preservar a relação não significa abrir mão de objetivos; significa conduzir o processo de forma que o acordo alcançado seja percebido como legítimo por todas as partes. Acordos percebidos como imposições, mesmo quando tecnicamente válidos, enfrentam resistência na execução e comprometem a continuidade da relação comercial.
Formalização e sustentabilidade do acordo
A etapa de formalização de um acordo de alinhamento de interesses é tecnicamente mais complexa do que aparenta. Um documento que não reflete com precisão os termos negociados, que deixa ambiguidades interpretativas ou que omite mecanismos de revisão pode gerar novos conflitos em prazos curtos. A clareza na redação dos termos acordados é, portanto, parte integrante do processo de alinhamento, e não uma etapa meramente burocrática.
Na avaliação de Haroldo Augusto Filho, acordos sustentáveis são aqueles que antecipam cenários de mudança e estabelecem mecanismos claros de adaptação. Incluir cláusulas de revisão periódica, definir indicadores de desempenho mensuráveis e prever formas estruturadas de resolução de eventuais divergências futuras são práticas que reduzem significativamente o risco de ruptura contratual e preservam o valor construído no processo de negociação.
