Cuiabá registra mais de 21 mil faltas em consultas especializadas e Prefeitura reforça pedido de atualização do Cartão SUS

Camille Dorevan
Por Camille Dorevan
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Levantamento da Secretaria Municipal de Saúde aponta desperdício de vagas nos Centros de Especialidades Médicas da capital

Um levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá mostrou que mais de 21 mil consultas especializadas deixaram de ser realizadas na capital ao longo do primeiro semestre de 2026, todas por ausência dos próprios pacientes nos horários agendados. Ao todo, foram contabilizadas 21.908 faltas nos dois Centros de Especialidades Médicas da cidade, o CEM Centro e o CEM Coxipó, unidades responsáveis por consultas em diferentes especialidades para a rede pública municipal. O número chamou atenção da gestão por representar uma fatia expressiva da capacidade de atendimento oferecida à população.

Segundo os dados apurados pela pasta, o CEM Centro disponibilizou 34.694 vagas no período, das quais apenas 17.033 foram de fato utilizadas pelos pacientes. Isso significa que 9.936 consultas, o equivalente a 28,6% de toda a capacidade da unidade, simplesmente não aconteceram porque quem tinha o horário marcado não compareceu. Já o CEM Coxipó ofertou 21.898 vagas e realizou 9.926 atendimentos, um padrão de ausência parecido com o registrado na outra unidade.

Para a rede municipal de saúde, esse volume de faltas tem um efeito prático bastante concreto: compromete o fluxo de atendimentos, aumenta o tempo de espera de quem está na fila da regulação aguardando uma vaga e mantém ociosas estruturas e profissionais preparados para atender a população. Em um cenário de demanda alta por consultas especializadas, cada vaga perdida representa, na prática, um paciente da fila que poderia ter sido chamado mais cedo.

Por que tantos pacientes deixam de comparecer

Um dos principais fatores apontados pela Secretaria para explicar o alto número de faltas é a dificuldade de contato com os pacientes no momento da confirmação da consulta. Em muitos casos, os telefones cadastrados no sistema estão desatualizados, os números não existem mais, houve mudança de endereço sem atualização cadastral ou simplesmente não há um contato alternativo registrado. Sem essa informação em dia, as equipes da regulação não conseguem avisar o paciente sobre data, horário ou eventuais mudanças no agendamento.

É justamente por isso que a Prefeitura tem reforçado a importância da atualização do Cartão SUS. O procedimento é simples, gratuito e pode ser feito em qualquer uma das 72 Unidades de Saúde da Família espalhadas pela cidade, não sendo necessário procurar especificamente a unidade de referência do paciente. Basta comparecer a qualquer USF do município portando um documento de identificação para que os dados sejam corrigidos no sistema.

Além do atendimento presencial nas unidades, os Agentes Comunitários de Saúde também têm papel importante nesse processo, já que realizam visitas domiciliares frequentes e aproveitam esses contatos para atualizar o cadastro das famílias. Essa rotina de visitas funciona como uma segunda camada de verificação, alcançando moradores que, por diferentes motivos, não costumam procurar as unidades de saúde com regularidade.

O que muda com os dados atualizados

Com o cadastro em dia, a Secretaria Municipal de Saúde ganha mais agilidade em praticamente todas as etapas do processo de agendamento. Torna-se possível informar novos horários de consultas com antecedência, confirmar exames já marcados, comunicar remarcações de forma mais rápida e, principalmente, preencher vagas que ficariam ociosas com outros pacientes da fila de espera assim que surge uma desistência.

Na prática, isso deve reduzir o desperdício de atendimentos e encurtar o tempo de espera de quem depende do sistema público para conseguir uma consulta especializada em Cuiabá. A expectativa da gestão municipal é que a combinação entre atualização cadastral e visitas domiciliares consiga, aos poucos, diminuir o índice de faltas registrado nos dois centros de especialidades, otimizando um recurso que já é escasso dentro da rede pública de saúde da capital.

Fontes consultadas

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