Quando o resíduo descartado na rua vira problema de mobilidade e drenagem

Diego Velázquez
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Marcello José Abbud, referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, evidencia que a relação entre o descarte inadequado de resíduos sólidos e os problemas de mobilidade urbana e drenagem é uma das mais diretas e custosas da gestão das cidades brasileiras, mas também uma das menos exploradas nas políticas públicas que tratam esses temas de forma separada. 

Resíduos descartados em vias públicas, bueiros e corpos d’água urbanos obstruem sistemas de drenagem, agravam enchentes, comprometem vias de circulação e geram custos de manutenção que sobrecarregam os orçamentos municipais de forma recorrente e crescente. Prepare-se para entender melhor como essas agendas se conectam e por que tratá-las de forma integrada é condição para resultados efetivos.

Como os resíduos comprometem os sistemas de drenagem urbana?

Os sistemas de drenagem urbana são projetados para conduzir o escoamento superficial das águas pluviais de forma controlada, evitando o acúmulo e as inundações nas vias e nas áreas habitadas. No momento em que os resíduos sólidos obstruem bocas de lobo, galerias e canais de drenagem, a capacidade do sistema é reduzida de forma proporcional ao volume de material acumulado, com consequências que se manifestam de forma aguda nos períodos de chuvas intensas. Além disso, sacolas plásticas, garrafas, embalagens e outros resíduos leves são os materiais que mais frequentemente causam obstruções, por sua capacidade de serem carreados pelo escoamento superficial e de se acumularem nos pontos de entrada dos sistemas de drenagem.

Conforme analisa Marcello José Abbud, o custo de desobstrução e limpeza dos sistemas de drenagem obstruídos por resíduos sólidos representa uma parcela significativa dos orçamentos municipais de manutenção de infraestrutura urbana em cidades brasileiras de diferentes portes. Esse custo recorrente poderia ser substancialmente reduzido com investimento na cobertura e na qualidade dos sistemas de coleta de resíduos nos bairros que concentram os maiores volumes de descarte irregular nas vias públicas e nos corpos d’água urbanos.

O impacto das enchentes agravadas por resíduos na mobilidade urbana

As enchentes urbanas, agravadas pela obstrução dos sistemas de drenagem por resíduos sólidos, têm impacto direto e mensurável sobre a mobilidade nas cidades. Na prática, vias alagadas interrompem rotas de ônibus, bloqueiam corredores de tráfego e forçam desvios que multiplicam os tempos de deslocamento e os custos operacionais do transporte público e privado. Em cidades com topografia acidentada, os danos às vias causados pelo escoamento concentrado de águas pluviais não absorvidas pelo sistema de drenagem obstruído somam-se aos custos de mobilidade, criando um passivo de infraestrutura que se acumula a cada evento de chuva intensa.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Como expõe Marcello José Abbud, a quantificação dos custos econômicos totais das enchentes urbanas agravadas por resíduos, incluindo perdas de mobilidade, danos à infraestrutura, prejuízos ao comércio e custos de saúde pública, raramente é feita de forma integrada pelos municípios brasileiros. Quando essa quantificação é realizada, os resultados tendem a demonstrar que o investimento em sistemas eficientes de coleta e destinação de resíduos representa uma fração pequena dos custos evitados, tornando o argumento econômico em favor da gestão adequada de resíduos irrefutável do ponto de vista da alocação eficiente de recursos públicos.

Integração entre planos de resíduos e planos de drenagem urbana

A superação da fragmentação entre as políticas de gestão de resíduos e as políticas de drenagem urbana exige integração desde o planejamento municipal. Em vista disso, planos diretores de drenagem urbana que incorporem explicitamente a gestão de resíduos como variável de projeto, com mapeamento dos pontos críticos de acumulação de resíduos nos sistemas de drenagem e metas de redução integradas com os planos municipais de gestão de resíduos, são instrumentos que ainda são raros nos municípios brasileiros, mas que demonstram resultados consistentes onde foram implementados.

No fim, o diretor da Ecodust Ambiental, Marcello José Abbud, alude que a criação de indicadores integrados de desempenho que conectem a cobertura dos sistemas de coleta de resíduos com a incidência de obstruções nos sistemas de drenagem é um passo concreto para tornar visível a relação de causalidade entre as duas agendas e para justificar o investimento coordenado em soluções que atendam simultaneamente aos objetivos de ambas as políticas públicas nas cidades brasileiras.

 

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