Cuiabá recebe FestLabs 2026 com inteligência artificial e inovação no Judiciário

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Evento nacional será realizado nos dias 20 e 21 de agosto e discutirá IA, dados, automação e novas formas de tornar a Justiça mais acessível.

Cuiabá será o centro de uma discussão nacional sobre tecnologia e transformação do Poder Judiciário nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, quando recebe a 6ª edição do Festival de Laboratórios de Inovação do Poder Judiciário, o FestLabs 2026. O encontro será realizado no Cenarium Rural e terá como tema “Justiça Híbrida: Humanos, Dados e Inteligência Artificial”, reunindo profissionais ligados à inovação para discutir como novas ferramentas podem transformar processos, gestão e serviços oferecidos à população. A programação está organizada em quatro grandes eixos, entre eles tecnologia e inteligência artificial, que contempla temas como IA, jurimetria, dados e automação. (InovaGov)

Mais do que colocar Cuiabá no calendário nacional de eventos tecnológicos, o FestLabs levanta uma questão diretamente ligada à rotina dos cidadãos: até que ponto inteligência artificial e digitalização podem tornar a Justiça mais rápida e acessível? O evento é restrito a magistrados, servidores, pesquisadores e parceiros do ecossistema de inovação do Judiciário, mas as soluções e experiências discutidas podem repercutir nos serviços utilizados pela sociedade. Para Mato Grosso, que já desenvolve iniciativas de transformação digital no sistema de Justiça, sediar o encontro também amplia a oportunidade de apresentar experiências locais e estabelecer conexões com projetos desenvolvidos em outros tribunais do país. (InovaGov)

Como inteligência artificial e dados podem transformar a Justiça

A inteligência artificial será um dos temas centrais do FestLabs 2026. O eixo dedicado à tecnologia pretende discutir IA, jurimetria, utilização de dados e automação, áreas que podem contribuir para atividades administrativas e para a organização de grandes volumes de informações. O objetivo do encontro não é simplesmente apresentar novas ferramentas, mas promover a troca de práticas e projetos capazes de tornar o Judiciário mais ágil e acessível, segundo a programação divulgada pela Rede InovaGov. (InovaGov)

A automação pode ser especialmente relevante em tarefas repetitivas e processos administrativos que consomem tempo das equipes. Quando aplicada adequadamente, a tecnologia permite reorganizar fluxos de trabalho e direcionar profissionais para atividades que dependem mais de análise humana. No entanto, a adoção de inteligência artificial pelo poder público também aumenta a importância de critérios de governança, supervisão e avaliação dos resultados produzidos pelos sistemas, principalmente quando as ferramentas são inseridas em ambientes que lidam com direitos dos cidadãos.

Outro campo previsto na programação é a jurimetria, área que utiliza métodos quantitativos e análise de dados aplicados ao universo jurídico. A disponibilidade de grandes bases de informações digitais abre possibilidades para identificar padrões, compreender demandas e apoiar o planejamento institucional. No Judiciário, essas ferramentas podem ser utilizadas como instrumentos de gestão e pesquisa, enquanto decisões que exigem interpretação jurídica continuam demandando responsabilidade institucional e controle humano.

Para quem utiliza os serviços da Justiça em Mato Grosso, o aspecto mais relevante será perceber se essas inovações resultarão em melhorias concretas. Redução de burocracia, serviços digitais mais simples, melhor acesso a informações e processos administrativos mais eficientes são exemplos de resultados que podem aproximar inovação tecnológica e experiência do cidadão. O desafio é evitar que a digitalização seja apenas uma mudança de ferramentas sem transformação efetiva do serviço prestado.

Por que Cuiabá se tornou palco do debate sobre inovação no Judiciário

A escolha de Cuiabá para sediar o FestLabs 2026 ocorre depois de Mato Grosso receber iniciativas regionais voltadas ao mesmo ecossistema de inovação. Em junho de 2025, a capital sediou o primeiro FestLabs Centro-Oeste, que reuniu mais de 100 magistrados e servidores de tribunais estaduais e federais de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Na ocasião, oficinas, palestras e apresentações de ferramentas foram utilizadas para estimular a colaboração entre laboratórios de inovação da região. (TJMT)

O encontro regional também apresentou projetos relacionados à digitalização dos serviços judiciais. Entre eles estava o Cidadania Digital, iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso voltada à conexão entre o Judiciário e o Executivo por meio da plataforma MT Cidadão. A proposta divulgada naquele momento previa permitir acesso a informações processuais e, futuramente, ao domicílio eletrônico, demonstrando como integração de sistemas pode alterar a forma de relacionamento entre instituições públicas e cidadãos. (TJMT)

Agora, o FestLabs nacional amplia a dimensão dessa discussão. A edição de 2026 está estruturada em quatro eixos: Laboratórios do Judiciário; Gestão e Processos; Projetos Inovadores; e Tecnologia e IA. Entre os assuntos previstos estão métodos ágeis, design de serviços, cultura de experimentação, projetos voltados à experiência do jurisdicionado, inteligência artificial, jurimetria, dados e automação. (InovaGov)

A realização em Cuiabá também cria uma oportunidade de aproximar Mato Grosso de redes nacionais de inovação pública. Experiências desenvolvidas em diferentes regiões podem ser comparadas, adaptadas e eventualmente incorporadas por instituições locais. Ao mesmo tempo, soluções desenvolvidas no estado ganham uma vitrine diante de profissionais de outras partes do país, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento sobre transformação digital no setor público.

O que a inovação no Judiciário pode mudar para quem vive em Mato Grosso

Para o cidadão, inovação pública ganha importância quando consegue reduzir dificuldades concretas no acesso aos serviços. Uma plataforma mais intuitiva, uma consulta digital simplificada ou a automatização de uma etapa burocrática podem evitar deslocamentos e diminuir o tempo necessário para resolver determinadas demandas. Em um estado territorialmente extenso como Mato Grosso, soluções digitais também possuem potencial para facilitar o relacionamento de moradores do interior com instituições concentradas nos principais centros urbanos.

Os laboratórios de inovação cumprem justamente a função de testar novas maneiras de organizar processos e serviços. O FestLabs reúne esse ecossistema para compartilhar experiências, projetos e métodos capazes de redesenhar a experiência do jurisdicionado. A programação também contempla gestão e processos, mostrando que transformação digital não depende somente da aquisição de novas tecnologias, mas da revisão da forma como as instituições trabalham. (InovaGov)

Há, entretanto, desafios importantes. Sistemas de inteligência artificial utilizados pelo setor público precisam funcionar dentro de parâmetros de segurança, transparência, proteção de dados e supervisão. A inovação também precisa considerar cidadãos com diferentes níveis de familiaridade com ferramentas digitais, evitando que a modernização crie novas barreiras justamente para quem possui maior dificuldade de acesso à tecnologia.

O FestLabs 2026 ocorrerá presencialmente no Cenarium Rural, em Cuiabá, entre 8h do dia 20 e 20h do dia 21 de agosto. A participação é direcionada a magistrados, servidores, pesquisadores e parceiros do ecossistema de inovação do Poder Judiciário, com inscrições realizadas por meio de acesso enviado às instituições participantes. (InovaGov)

Para Cuiabá e Mato Grosso, o principal resultado a acompanhar depois do encontro será o que efetivamente sairá das discussões sobre inteligência artificial, automação, dados e novos modelos de serviço. O avanço tecnológico do Judiciário não deve ser medido apenas pela quantidade de sistemas implantados, mas pela capacidade de tornar procedimentos mais eficientes e facilitar o acesso da população à Justiça. Com o FestLabs nacional na capital mato-grossense, Cuiabá passa a ocupar durante dois dias um espaço privilegiado nesse debate e poderá acompanhar de perto soluções que apontam para o futuro dos serviços judiciais no país.

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