Disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá expõe racha entre vereadores aliados de Abilio

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Tentativa de mudar regra que impede reeleição da Mesa Diretora divide legislativo municipal e gera embate com o Executivo.

A Câmara Municipal de Cuiabá vive um momento de instabilidade política depois que o prefeito Abilio Brunini (PL) recorreu ao Poder Judiciário para questionar regras do Regimento Interno que atualmente impedem a reeleição imediata da presidência da Casa. A primeira sessão ordinária realizada após essa iniciativa foi marcada por debates acalorados, troca de acusações e divergências entre parlamentares, inclusive dentro do próprio grupo político que sustenta o governo municipal na Câmara.

No centro da controvérsia está a atual presidente do Legislativo, vereadora Paula Calil (PL), que busca viabilizar sua permanência no comando da Câmara para o próximo período. As regras vigentes, no entanto, impedem que ela concorra novamente ao cargo sem uma mudança formal no Regimento Interno, o que motivou a movimentação junto ao Judiciário questionando a validade dessas normas.

O que motiva a disputa dentro da Câmara

Do outro lado do embate está o vereador Ilde Taques (Podemos), apontado como o principal pré-candidato à presidência da Câmara caso a alteração regimental não avance. O grupo político liderado por Taques defende a manutenção das regras atuais, argumentando que qualquer mudança nesse tipo de norma deve partir exclusivamente dos próprios vereadores, sem qualquer tipo de interferência externa, seja do Executivo municipal, seja de outras instâncias do poder público.

A tensão ficou ainda mais evidente quando vereadores que até pouco tempo integravam a base de apoio à reeleição de Paula Calil passaram a criticar publicamente a atuação do prefeito no episódio. O vereador Dilemário Alencar (UB) foi um dos que se manifestaram nesse sentido, afirmando não aceitar qualquer tipo de interferência da Prefeitura de Cuiabá, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso ou de qualquer outro órgão no processo eleitoral interno da Câmara Municipal.

O episódio reacende um debate recorrente na política municipal brasileira: até que ponto o Executivo pode, ou deve, influenciar na organização interna do Legislativo. Especialistas em direito administrativo costumam apontar que questões regimentais são, em regra, de competência exclusiva das próprias casas legislativas, o que reforça o argumento usado pelos vereadores que resistem à mudança das normas atuais em Cuiabá.

Como fica a relação entre Executivo e Legislativo em Cuiabá

Apesar da crise em torno da disputa pela presidência, a relação entre a Prefeitura e a Câmara de Cuiabá vinha sendo apresentada, publicamente, como de colaboração institucional. Em julho, o prefeito Abilio Brunini sancionou um conjunto de 12 normas aprovadas pelo Legislativo municipal, sendo 11 leis ordinárias e uma lei complementar, abrangendo áreas como saúde, educação, proteção animal, patrimônio cultural, inclusão social, mobilidade e direitos humanos.

Na ocasião, o prefeito chegou a destacar publicamente o papel da Câmara na construção de políticas públicas voltadas à população cuiabana, defendendo uma relação de respeito institucional e diálogo permanente com os vereadores. O contraste entre esse discurso e a disputa recente em torno da Mesa Diretora ilustra como a política municipal pode alternar rapidamente entre momentos de cooperação e de tensão, especialmente em períodos que antecedem mudanças na composição de comandos estratégicos do Legislativo.

A Câmara de Cuiabá é composta por 27 vereadores, formando o maior parlamento municipal do Brasil em número de cadeiras, o que amplia a complexidade de qualquer negociação envolvendo mudança de regras internas. Nesse cenário, cada bloco político busca garantir influência sobre decisões que podem impactar diretamente a distribuição de poder dentro da Casa nos próximos anos.

O que esperar para os próximos capítulos dessa disputa

Enquanto a questão levada ao Judiciário não é resolvida, a expectativa é de que o debate sobre a validade da tentativa de mudança regimental continue pautando as sessões ordinárias da Câmara Municipal, que atualmente ocorrem às terças e quintas-feiras. A resolução dessa disputa deve influenciar diretamente a configuração política da Casa e, por consequência, a própria relação entre o Legislativo e o Executivo municipal nos próximos meses.

Para os moradores de Cuiabá, o desfecho desse embate tem relevância direta, já que a presidência da Câmara ocupa papel central na definição da pauta de votações, incluindo projetos que afetam diretamente áreas como saúde, mobilidade urbana e educação municipal. A disputa em curso, portanto, extrapola o campo estritamente político e deve repercutir no ritmo de tramitação de propostas de interesse da população nos próximos meses.

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